O pavilhão Norte tem 580 lugares, um piso pintado há duas épocas e uma parede lateral onde estão pendurados os calendários de sete escalões. É ali que o Alvorada Norte, último classificado com quatro pontos, decidiu jogar a continuidade na prova: não com reforços vindos de fora, mas com os atletas que já treinavam no edifício.
A decisão foi tomada em maio, depois de duas jornadas particularmente duras. O clube passou a concentrar os treinos entre as 18h30 e as 20h00, um horário que permite aos jogadores mais novos manter as aulas e reduz o número de deslocações das famílias. Em paralelo, os treinadores de sub-17 e sub-19 passaram a participar na preparação da equipa principal, o que garante que os exercícios são os mesmos em todos os escalões.
Os resultados imediatos são discretos — uma vitória e um empate nas últimas cinco jornadas —, mas há indicadores que a direção considera mais importantes. A equipa sofre menos golos por jogo do que no início da época, o tempo de posse aumentou e, sobretudo, seis dos catorze inscritos têm menos de vinte anos, o valor mais alto da Liga Alvorada.
A permanência depende de nove jornadas e de duas equipas: o Cavadelo, a seis pontos, e o Quintanel, a oito. O calendário ajuda no fim — os dois confrontos diretos são em casa —, mas obriga a passar antes pelos três primeiros classificados. «Não escolhemos o calendário, escolhemos a maneira de o jogar», resume Leandro Tramagal, treinador principal, que também orienta os sub-15 do clube.